Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
Nos últimos dias, isto é, ontem, a tristeza começou a ceder terreno a uma espécie de — digamos — abnegação. Durmo, acordo, faço coisas, leio muito. E esse vazio que ninguém dá jeito? Você guarda no bolso, olha o céu, suspira, vai a um cinema, essas coisas. E tudo, e tudo, e tudo. Caio Fernando Abreu 


Tenho vontade de chorar, fugir para o Paraguai que seja. Vai dando certo. O que não impede uma angústia e uma insegurança insuportáveis.

Caio Fernando Abreu

De vez em quando choro, é bom chorar, eu não tenho vergonha, mas em todos os momentos existe a certeza de ter feito uma escolha acertada, de estar caminhando em direção à luz. Não nego nada do que fiz, também não tenho arrependimentos ou mágoas: eu não poderia ter agido de outra maneira.
Caio Fernando Abreu

Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante — seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente os seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.
Caio Fernando Abreu

São os atos e não as palavras que podem salvar.
Caio Fernando Abreu 

Meu filho, os caminhos estão muito mais abertos do que você imagina. Só que eles parecem tortos. Mas é por esses caminhos que parecem tortos que você tem que caminhar, e as coisas vêm ao seu encontro. Você só tem que escutar os caminhos e seguir por eles.
Caio Fernando Abreu

E há alguns meses eu vinha pensando em parar. Não sentia mais grandes problemas para discutir. Nesse tempo todo, aprendi a me conhecer, a conviver comigo mesmo, me tornei muito mais tranqüilo, muito mais seguro.
Caio Fernando Abreu

Resolvi me afastar, e agora estou tentando tirar da cabeça. Não estou conseguindo. Estava muito apaixonado. Acho que nunca tanto. Não consigo mais aceitar relações pela metade. Em outras palavras, raspas e restos não me interessam. — Caio Fernando Abreu

Abraçou-o com muita força, como se quisesse entrar dentro dele para compreendê-lo mais, e melhor.
Caio Fernando Abreu 
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu


(…) Começava a ver nas pessoas o que elas não sabiam de si mesmas, e isso era ainda mais terrível. O que elas não sabiam de si era tão assustador que me sentia como se tivesse violado uma sepultura fechada havia vários séculos. A maldição cairia sobre mim: ninguém me perdoaria jamais se soubesse que eu ousara. Ninguém me perdoaria se soubesse que eu sei o que elas são, o que elas eram.
Caio Fernando Abreu

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