Quando alguém apontar a arma na sua cabeça, a questão não é se render ou ser morto. Você ainda tem mais 146 formas de sair desta situação. Às vezes os mocinhos precisam fazer coisas ruins para que os bandidos paguem. Vencedores sempre querem vencer de novo. Eu sou emocionalmente apegado a mim. Você sempre tem uma escolha. Nunca destrua alguém em público quando você pode obter o mesmo resultado em privado! Não sou chamado para reuniões, eu as marco. E meu respeito não é demandado, é merecido. Quando eu estou em um caso, a única coisa que existe é 0% de chance de eu perder. Pensa que eu não me achava mais inteligente que meu antigo patrão? E eu era, mas esperei minha vez. Eu não tenho sorte, eu faço minha própria sorte! Perdão não tem a ver com certo ou errado. Só porque você é um novato não significa que você precisa pensar com um... Há momentos em que ser arrogante é apropriado. Mantenha a compostura, não importa o quão difícil esteja a situação. Sua aparência é tão importante quanto s...
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Caio Fernando Abreu |
Daí, eu também ando muito triste. E sem entender quase nada.
Caio Fernando Abreu
Penso então que a gente quase sempre dá nome às coisas para perder o medo delas. Não sei se conseguimos.
Penso então que a gente quase sempre dá nome às coisas para perder o medo delas. Não sei se conseguimos.
Caio Fernando Abreu
E fingindo limpar os óculos, enxugaria muito dissimuladamente – mas não tanto que eu não percebesse – outra daquelas furtivas lágrimas.
E fingindo limpar os óculos, enxugaria muito dissimuladamente – mas não tanto que eu não percebesse – outra daquelas furtivas lágrimas.
Caio Fernando Abreu
Cuidado, meu amigo, vai doer. Se você é daqueles que acham que a vida é um mar de rosas cor-de-rosa, mantenha distância. Ou vá ouvir a Xuxa.
Cuidado, meu amigo, vai doer. Se você é daqueles que acham que a vida é um mar de rosas cor-de-rosa, mantenha distância. Ou vá ouvir a Xuxa.
Caio Fernando Abreu
Mas o amor verdadeiro, se é que existe, entre homens ou mulheres, onde fica? Numa gaveta fechada, tive vontade de dizer. Nas costas de um cartão postal, sob uma ponte no Sena: mélancolie.
Mas o amor verdadeiro, se é que existe, entre homens ou mulheres, onde fica? Numa gaveta fechada, tive vontade de dizer. Nas costas de um cartão postal, sob uma ponte no Sena: mélancolie.
Caio Fernando Abreu
Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado?
Imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos — acrescentem a esse mundo os detalhes que vocês quiserem (eu me satisfaço com um rio, macieiras carregadas, alguns plátanos e uma colina — ou coxilha, como se diz aqui no Sul — no horizonte), depois convidem pessoas azuis para se darem as mãos e fazerem uma grande concentração para concretizar esse mundo — e, então, quando ele estiver pronto, novo e reluzente como se tivesse sido envernizado, então nós nos encontraremos lá e eu não precisarei explicar nada, nem contar nenhuma estória escura, porque estórias claras estarão acontecendo à nossa volta e nós estaremos sendo aquilo que somos, sem nenhuma dureza, e o que fomos ficou dependurado em algum armário embutido, junto com sapatos (quem precisará deles para pisar na grama limpa dessa terra?), roupas e enfeites (quem precisará de panos, contas ou cores na terra onde o ar será colorido e enfeitará nossos corpos?)— lá, eu digo, nós nos encontraremos entre centauros, sereias, unicórnios e duendes, e sem dizer nada, com um olhar verde (uma das minhas grandes frustrações sempre foi não ter olho verde — mas lá eu terei) eu direi o quanto gosto de vocês, e voaremos de tanta boniteza — combinado?
Caio Fernando Abreu
Desisti de achar que o príncipe vai achar o sapatinho (ou sapatão) que perdi nas escadarias. Não sinto mais impulsos amorosos. Posso sentir impulsos afetivos, ou eróticos — mas amorosos, sinceramente, há muito tempo. É estranho, e não me parece falso, mas ao contrário: normal. Era assim que deveria ter sido desde sempre. E não se trata de evitar a dor, é que esse tipo de dor é inútil, é burra, é apego à matéria. Caio Fernando Abreu
Descobri — numa carta de Clarice Lispector para Lucio Cardoso — que polisipo, em grego, significa “pausa na dor”.
Têm sido, estes dias, polisipos. Caio Fernando Abreu
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Caio Fernando Abreu |
Descobri — numa carta de Clarice Lispector para Lucio Cardoso — que polisipo, em grego, significa “pausa na dor”.
Têm sido, estes dias, polisipos. Caio Fernando Abreu
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